Rede de Emprego Apoiado - REA


O que é Emprego Apoiado

Emprego Apoiado é uma metodologia que visa à inclusão no mercado competitivo de trabalho de pessoas com incapacidade mais significativa; respeitando e reconhecendo suas escolhas, interesses, pontos fortes e necessidades de apoio. O cliente do Emprego Apoiado deve ter a sua disposição, sempre que precisar, os apoios necessários para conseguir obter, manter e se desenvolver no trabalho.

O público-alvo do Emprego Apoiado são pessoas com incapacidade mais significativa que não estão sendo atendidas pelos sistemas tradicionais de colocação ou não conseguem se manter em um emprego ou devido à severidade da incapacidade têm necessidade de serviços de Emprego Apoiado mais intensos para conseguir um trabalho. Define-se incapacidade não como algo que a pessoa tem, mas sim como o resultado da interação entre a condição de saúde de determinada pessoa e as condições oferecidas pelo ambiente (barreira ou facilitador). Pessoas com deficiência intelectual, deficiência múltipla, autismo, paralisia cerebral, transtorno mental, são os grupos mais atendidos pela metodologia. Ressaltando, porém, que qualquer pessoa que se encaixe na definição de público-alvo do Emprego Apoiado pode ser atendida através desta metodologia.

Missão

Desenvolver o Emprego Apoiado no Brasil, viabilizando a inclusão econômica de pessoas com incapacidade mais significativa.

Quem somos

Fazem parte da rede: clientes do emprego apoiado e seus familiares, instituições que prestam serviços de inclusão, profissionais, representantes de órgãos públicos, empresas e pesquisadores de universidades.

Histórico da REA

A REA iniciou suas atividades em 2008, quando profissionais e instituições que já trabalhavam com Emprego Apoiado resolveram unir esforços para viabilizar o Emprego Apoiado no Brasil. Fizeram parte desse primeiro momento as instituições Carpe Diem, Apabex, Abads e Nova Projeto, todas elas com uma história de programas de inclusão de pessoas com incapacidade mais significativa.

Objetivos

  • Divulgar a metodologia do Emprego Apoiado através da realização de Encontros, Fóruns, Seminários e da produção de material de divulgação, textos e pesquisas.

  • Participar da discussão e elaboração de Políticas Públicas específicas para o Emprego Apoiado e de outras áreas relacionadas à inclusão de pessoas com incapacidade mais significativa.

  • Desenvolver esforços para a criação da Associação Brasileira de Emprego Apoiado.

  • Capacitar profissionais, instituições e empresas para atuar com Emprego Apoiado.

  • Capacitar consultores em Emprego Apoiado, definindo padrões de atuação profissional e ética.

  • Estipular parâmetros de qualidade para programas de Emprego Apoiado.

  • Estimular a participação e a autodeterminação dos clientes de Emprego Apoiado na REA e na futura ABEA.

Participações - Parcerias

A REA tem participado em ações desenvolvidas em parceria com o ITS, Instituto de Tecnologia Social, tais como:

  • Participação no Seminário Internacional de Emprego Apoiado realizado em Maio de 2010

  • Elaboração de projeto para financiamento de programas de Emprego Apoiado

O ITS em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que reconheceu o Emprego Apoiado como uma tecnologia social, têm como meta disseminar a utilização do Emprego Apoiado no Brasil.

Participantes da REA

- Abads
- APAE (Extrema – MG)
- Carpe Diem (SP)
- Escola Especial Municipal de Osasco (Osasco – SP)
- Apabex (SP)
- Pestalozzi (Osasco – SP)
- Nova Projeto (SP)
- Apae São Paulo
- ITS – Instituto de tecnologia social (SP)
- NANE –  SP
- APAE (Americana – SP)
- PEPA

Histórico

O Emprego Apoiado começou nos EUA no final dos anos 80. Iniciou como projetos pilotos de Universidades Americanas que buscavam alternativas para a inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência intelectual mais severa. Essas pessoas eram atendidas pelas oficinas protegidas de trabalho e não conseguiam sair delas para ser incluídas no mercado competitivo de trabalho. Poucas pessoas obtinham sucesso nessa forma segregada de preparar as pessoas para o mercado de trabalho, pois a maioria nunca era considerada preparada para sair das oficinas. Para mudar essa situação, os programas de Emprego Apoiado propuseram o treinamento no local de trabalho e a disponibilização de apoios como a melhor forma de possibilitar que as pessoas com deficiência intelectual mais severa conseguissem ser incluídas no mercado competitivo de trabalho. Nas décadas seguintes, o Emprego Apoiado se desenvolveu e passou a ser uma alternativa disponível em todos os 50 estados americanos, não só para as pessoas com deficiência intelectual, mas para várias outras incapacidades mais significativas. Nos Estados Unidos, mais de 350.000 pessoas já foram atendidas pelo Emprego Apoiado, sendo que por ano são gastos cerca de 700.000.000 de dólares com o financiamento público dos programas de Emprego Apoiado.

Valores

O Emprego Apoiado reconhece e valoriza a autodeterminação das pessoas com incapacidade mais significativa na condução dos seus projetos de vida. É uma metodologia individualizada, centrada na pessoa e com foco nas capacidades. Sabe-se que, disponibilizando os apoios necessários, a pessoa com incapacidade mais significativa pode participar da comunidade junto com as outras pessoas, sendo valorizada e reconhecida em todas as áreas da vida.

Fases

O Emprego Apoiado é composto de três fases:

  • Perfil Vocacional - descoberta dos pontos fortes, interesses e necessidades de apoio da pessoa, a partir de uma avaliação ecológica-funcional, de preferência realizado na comunidade. Essa avaliação consiste de entrevistas com o cliente, seus familiares e outras pessoas que o conheçam e de observações em lugares freqüentados por ele.

  • Desenvolvimento de Emprego – pesquisa e marketing com empresas para descobrir um emprego que combine com o perfil vocacional. Pode ser também o desenvolvimento de um trabalho por conta própria. Para se verificar a compatibilidade entre o perfil da pessoa com o perfil da vaga é feita uma análise da função. Essa análise leva em conta a cultura da empresa, a disponibilidade de apoios naturais e as exigências para executar a função. Faz-se uma negociação com o empregador para fazer as acomodações e adaptações necessárias. Esse processo pode resultar na criação de uma vaga customizada ou de uma vaga já existente que atenda ao mesmo tempo as necessidades do cliente de Emprego Apoiado e da empresa. Acontecendo a contratação, é feita uma análise pormenorizada das tarefas para a elaboração de um plano individual de treinamento e inclusão social.

  • Acompanhamento pós-colocação – Acompanha-se o treinamento e a inclusão social do cliente na empresa para verificar se as estratégias e os apoios naturais estão funcionando. Quando se considera que tanto o cliente quanto a empresa já estão prontos, tem início o acompanhamento contínuo. Esse acompanhamento é feito à distância e tem por objetivo garantir a qualidade da inclusão, intervir em situações mais desafiadoras e auxiliar no desenvolvimento de carreira dos clientes. O acompanhamento contínuo é um dos componentes mais importantes para garantir a retenção do trabalho pela pessoa com incapacidade mais significativa.

Quem executa o programa

O profissional responsável por acompanhar o cliente nessas três fases é o consultor em Emprego Apoiado. No início do Emprego Apoiado, o consultor era denominado de preparador laboral, pois ele era o único responsável pelo treinamento inicial do cliente, permanecendo junto ao cliente na empresa para depois ir se afastando gradualmente até que a empresa assumisse o controle do processo. Atualmente, o consultor é visto como um mediador que, desde o início do processo, tende a utilizar os apoios naturais já disponíveis na empresa para desenvolver as estratégias de treinamento e inclusão planejadas na primeira fase do Emprego Apoiado. Ele tem de ser um bom mediador, saber trabalhar com a comunidade, dominar técnicas de treinamento para pessoas com incapacidade mais significativa, além de ter conhecimentos sobre o mercado de trabalho e o funcionamento das empresas, já que elas também serão suas clientes.

Não existe um consenso sobre qual formação o consultor deve ter. Nos países onde existe o Emprego Apoiado, alguns consultores têm ensino médio e outros têm curso de graduação (psicologia, terapia ocupacional, administração, pedagogia, sociologia etc.).

Emprego Apoiado no Brasil

- 1987 - contribuição de Luiz Carlos Dutra (EUA – Brasil)

- 1993 – reunião técnica sobre Emprego Apoiado

- 1993 – formação do GEA (Grupo de Emprego Apoiado)

- 1994 - curso introdutório de Emprego Apoiado

- 1995 – produções de manuais de Emprego Apoiado

- 1996 – dois brasileiros fazem curso e estágio em Emprego Apoiado nos EUA

- 1997 – livro “Inclusão: construindo uma sociedade para todos”

- 1997 – livro: “Educação profissional e colocação no mercado de trabalho”, início do Pect – Processo de Educação Profissional e Colocação no trabalho – desenvolvido pela Federação Nacional das Apaes que incluiu o Emprego Apoiado como uma alternativa de inclusão no mercado de trabalho.

- 1997 – início do programa de Emprego Apoiado no Carpe Diem

- 2000 – início do programa de Emprego Apoiado do Projeto Inclua

- 2002 – início do programa de Emprego Apoiado da Apabex

- 2007 – inícios do programa de Emprego Apoiado da Abads de SP

- 2007 – livros “Educação profissional e trabalho para pessoas com deficiência intelectual e múltipla”

- 2008 – formação da REA – Rede de Emprego Apoiado

- 2009 – 1º Encontro sobre Emprego Apoiado

- 2010 – Seminário Internacional de Emprego Apoiado realizado pelo ITS (Instituto de Tecnologia Social) em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia.

Contato: empregoapoiado@hotmail.com